segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Soneto da Fidelidade

Soneto da Fidelidade
"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
Vinícius de Moraes

Esse talvez seja o poema de amor mais conhecido e mais declamado no Brasil. É comum ver as pessoas elogiando este poema e querendo ser como o Poetinha. Ele é que era feliz, dizem, e as mulheres,  então, adorariam ser uma de suas musas inspiradoras.
Mas na verdade, se a gente analisar direito, todas as pessoas do mundo são assim: de tudo no mundo são atentos em primeiro lugar, ao objeto de seu amor. Parece mentira, mas é verdade.
A atenção vai estar sempre no seu amor, pode chegar qualquer coisa mais atraente, mas o encantamento estará no seu amor.
O riso será a cada contentamento do objeto de seu amor e igualmente seu pranto para o caso de seu descontentamento. E enquanto essa chama arder, ela irá acompanhar e ser a primeira coisa a ser vista, atendida, pensada e lembrada, enquanto existir.

O que vai mudar será apenas o objeto do amor de cada um: pode ser o seu par, pode ser um filho, um parente, um amigo, pode ser o trabalho, o lazer, a aparência ou a essência, o luxo, o carrão do ano, o bilhete premiado, a religião, o sexo, o futebol , a leitura, a arte, a juventude, os conceitos arraigados, o orgulho,  a política, a vida alheia... etc , etc, etc.
O Poetinha sabia das coisas!!!
Eli Ana

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

domingo, 5 de janeiro de 2014